29 maio 2009



DESILUSÃO

Deserto, tempestade de areia


Um vulto que anda cá e lá


Grãos minúsculos chicoteiam-lhe a face


Sente-se soterrar, suas vestes flutuam


O cansaço atordoa-o, seu corpo reclama


Deixa-se cair, como veio ali parar


Sente um sufoco, tenta se erguer


Não sabe de onde veio, nem para onde ir


Onde está o sol, o verde, as cores


Não consegue olhar à sua volta


A tempestade cega-o, desiste da procura


Ergue-se cambaleando seu fardo é pesado


Um sonho transformado em pesadelo


Um sonho que o atira para o deserto


Ali está ele no centro da tempestade


Num furacão de intriga de mentira e de maldade


Ali reconhece a mesquinhez do ser humano


Cai o desalento apodera-se de si


Cobre-o o manto da esperança


A tempestade passou, resistiu ele a dor


Será que renascerá dentro de si um novo acreditar

Margarida Tanque 28-05-2009

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