
DESILUSÃO
Deserto, tempestade de areia
Um vulto que anda cá e lá
Grãos minúsculos chicoteiam-lhe a face
Sente-se soterrar, suas vestes flutuam
O cansaço atordoa-o, seu corpo reclama
Deixa-se cair, como veio ali parar
Sente um sufoco, tenta se erguer
Não sabe de onde veio, nem para onde ir
Onde está o sol, o verde, as cores
Não consegue olhar à sua volta
A tempestade cega-o, desiste da procura
Ergue-se cambaleando seu fardo é pesado
Um sonho transformado em pesadelo
Um sonho que o atira para o deserto
Ali está ele no centro da tempestade
Num furacão de intriga de mentira e de maldade
Ali reconhece a mesquinhez do ser humano
Cai o desalento apodera-se de si
Cobre-o o manto da esperança
A tempestade passou, resistiu ele a dor
Será que renascerá dentro de si um novo acreditar
Margarida Tanque 28-05-2009
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