O meu mais belo poema, é um mundo
Um mundo que idealizei para ti
Para ti, que outrora partilhaste a minha vida
O meu mais belo poema, não está aqui presente
Mas está dentro do meu coração, num outro mundo
Numa outra dimensão, que está para além do portal da vida
Onde tudo é puro, o brilho é intenso
A água é límpida e cai em forma de cascatas
As quais libertam uma brisa fresca
Anjos luminescentes cantam
Sons de harpas misturam -se aos cânticos
Lírios brancos e roxos brotam de um chão flutuante
Libertando lufadas de um perfume, cheiro doce e inigualável
Espíritos de luz caminham, leves como plumas
Vão em teu auxílio, tu um manto branco, que para trás deixou um corpo
Corpo que foi a tua veste, num mundo sofredor que deixaste para trás
Precisas de ajuda para atravessar o túnel negro, que separa uma, de outra dimensão
Para vires ao encontro de um mundo, um mundo sem sofrimento
Um mundo que criei para ti sem dor, todo ele de paz e amor
Mas tu manto branco, terás de ultrapassar a porta que existe no final do túnel
Tunel que percorres á deriva, caminha em direcção à luz
Só assim deixarás a vida terrena e viverás a vida celestial
Onde descansarás, sobre uma enorme pluma, embalada no doce cântico dos anjos
Ouvindo o meu mais belo poema, que em vida não te escrevi
O meu mais belo poema é em tua memória
É para ti minha irmã, todo este meu poema, feito com o coração
Perante esta tua partida, um vazio apoderou-se do meu peito
Foste, partiste, ja não te tenho mais aqui, embora mores dentro de mim
Sempre senti-te a meu lado, sempre foste a minha força, a minha melhor amiga
Perdoa-me, se não o soube retribuir de igual forma ao ser-te roubada a vida
Quando dolorosamente te apagavas, porque não me disseste?
Sei, foi para que não sofresse, protegendo-me e todos que tanto amavas
Senti que te perdia, no teu respirar ofegante
Nas tuas palavras, no teu descrever da dor, logo ilucidando-me que era uma fase
Mais uma entre muitas que passaste, mais dolorosa, uma dor nunca sentida
Ali te apagavas perante o meu olhar, o qual assistia inocentemente.
Inocente perante a tua transição da vida para a morte.
Aceitei teu ultimo beijo, que na minha face deixaste despediste-te de mim
Retribui teu beijo, mas não me despedi, apenas te deixei com um até amanhã .
Um amanhã que apenas nasceu para uma de nós.
Por tudo que foste, por tudo que sofreste, vou amar-te
Amar-te na forma dos teus filhos, naquilo que criaste
Viverás para sempre no coração de todos nós.

O MEU MAIS BELO POEMA
É para ti que escrevo, o meu mais belo poema
Nunca senti necessidade de o escrever
Porque sempre o declamei
Não era necessário passá-lo para o papel
Tu estavas presente, poderia declamá-lo
Fazendo-o com pequenos gestos de amor
Com pedaços de vida em conjunto
Momentos idênticos, não voltarão jamais
Apenas poderei recordá-los com saudade
O quanto foste importante para mim
Tenho de o escrever porque te perdi
Perdi-te para sempre, não moras mais neste mundo
Não estás mais ao meu lado, já não oiço a tua voz
Sinto um vazio, que tento preenchê-lo, com os teus filhos
Com aqueles que nasceram de ti , que tanto os amaste
Sei que viverás eternamente, no nosso coração
Tentarei sorrir, ser feliz, viver a vida que tanto valorizavas
Imaginando-te no mundo celestial que criei para ti
Em descanso, embalada por este meu mais belo poema
Declamado pelos anjos, numa outra dimensão.
Feito em memória da minha doce irmã Betty, mais uma vitima do cancro da mama, pela sua coragem com que enfrentou todas as fases terriveis porque passou. mantendo sempre a esperança de o superar e pela forma como sofreu em silêncio a sua fase terminal, poupando o sofrimento a todos àqueles que tanto amava.
Margarida Tanque 13-05-2007

