14 fevereiro 2007

Alma Sedenta

Lanço meu olhar sobre o mar

Grandioso, tão poderoso como ele só, está deserto

Lá ao longe o sol teima em nascer

Tentando transpor as nuvens cinzentas que o encobrem

No porto descansam apenas duas velhas areeiras

Adormecidas no tempo, oiço seus lamentos

Rugidos que soltam ao serem fustigadas pelas investidas das ondas

Todo meu ser se lamenta, também ele fustigado por este amor

Sim… por este amor que consome meu coração

Pela tua ausência, pela solidão que sinto

Vejo uma leve gaivota, que se deixa balouçar na ondulação

Tão sozinha, deleitando-se na imensidão do mar

Sinto-me tão covarde perante a pequenez desta

Porque tenho medo, porque não sei viver sem amor

Procuro a razão, mas não a encontro

Preciso do teu amor, preciso de ti

Contigo via as cores daVida, o brilho do Sol, o azul do Mar

Via como este rugia e em forma de onda, se estendia na areia

Deixando nela seu beijo suave de água em forma de espuma

Sinto frio, um arrepio percorre meu corpo

E o sol que não vem, sinto minha alma gélida

Falta-me o sol, falta-me o sol da minha vida

Já nem a lua vejo mais, com seu manto cintilante e mágico

Esta nos envolvia numa áurea de ternura e paixão

Não posso, nem quero acreditar, que tudo isto fosse um amor de Verão

Meu coração reclama em delírio a tua presença

Preciso do teu olhar de veneno, do calor do teu corpo moreno

Do teu cheiro que seduz e atormenta esta minha alma sedenta

No silêncio da noite ela grita, no sonho se agita e corre para ti

Por tudo isto estou a pensar em ti, só assim consigo sorrir

Tu és um raio de sol nesta minha vida de tempestade

Um rasgo de felicidade que se tornará plena

Meu eterno amor, quando estiveres a meu lado


Margarida Tanque

Poema premiado em 3º lugar no Concurso Literário "Mundo de Amor " Escalão superior a 40

14-02-2007

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