17 novembro 2006

Amiga

Nunca te vi…

Mas sei que existes.

Estás tão longe… tão distante de mim

Não és uma presença constante

Mas fazes parte do meu mundo

Não é necessário estares sempre presente

Para seres uma boa amiga

Basta que não me abandones quando preciso de ti

Sei que posso contar contigo

Não estás presente, mas sei que estás comigo

Sinto-to nos momentos que estou só

As tuas palavras, essas correm em meu auxílio

Destruindo a angústia que envolve meu ser

Tu que aparentas ser tão frágil

Que reconheces a face dolorosa da vida

Não te rendeste ao desespero, enfrentaste-o

Superaste os obstáculos que a vida te obrigou a transpor

Tu, árvore da vida, pequena mas de raízes profundas

Resististe à tempestade que assolou a tua vida

Não te deixaste abalar, algo te deu força

Quiçá não fora o rebento que nasceu de ti

Que a teu lado cresce sádio e viçoso

Mulher coragem que olha o futuro

Tu que estendes a mão aos mais frágeis

Os que não têm forças para lutar

Trazendo-lhes um futuro, que deixara de ter sentido

Para eles és uma referência, transmites-lhes confiança

Fazendo prevalecer a grande frase

Enquanto à Vida à Esperança

Com carinho para a amiga do peito Manu

16-11-2006-Margarida Tanque/ Múchia

03 novembro 2006


Cais Deserto

Pleno Inverno…

Dia chuvoso, tarde sombria

Mar revolto, ondas bravias

Gaivotas fugidias, canoas balouçando

Deixando-se levar, num baloiçar estonteante

Ora para um lado, ora para outro

O céu escuro, cinzento ameaçador

As nuvens parecem fantasmas, distorcidos pelo vento

Estas pairam sobre o mar, sobre a terra

O vento fustiga meu corpo, parecendo querer me tirar dali

Não querendo que descubra toda a sua maldade

Seguro-me com toda a minha força

E deixo que este me sacuda, sinto-o frio, tão frio que dói em meu rosto

Eu ali… naquele cais deserto, tão a mercê do tempo

Respiro, e sinto que inspiro um ar fresco e frio que desperta meu âmago

Que sensação de liberdade, todo aquele mundo ali só para mim

De relanço olho para a entrada do cais e sinto que tenho mais …

Mais que aqueles que estão para além deste…partilhando espaços

Eu tenho todo este cais só para mim, embora deserto

Sento-me possuidora de um tempo, de um espaço de um momento

Um suspiro de alívio sai de mim…fecho suavemente os olhos

Que paz um enternecimento envolve meu ser

Apenas oiço o uivar do vento, o rebentar das ondas…

Os gemidos das amarras fustigadas pela ondulação, cedendo e lutando

Deixa transparecer o esforço que estas fazem para manter presa a embarcação

Tal como elas, meu corpo reclama do corrupio em que vive

Uma constante de lutas e cedências para segurar a vida

Passo a língua nos meus lábios secos pela maresia… tento humedece-los

Um sabor a sal, este o sabor da liberdade que sinto neste momento

Bem diferente daquele que a vida me tem habituado o sal das lágrimas

Lágrimas de um coração ferido e magoado por amar sem ser amado

Não posso fugir. Tenho de ir, ficarás deserto e abandonado

Tenho de seguir minha estrada em busca da felicidade.

Margarida Tanque 08-10-2006