14 setembro 2006



Renúncia à morte

Morte, tu que sempre me apavoraste

Sempre temi ver teu rosto

Essa tua face descolorida, de um corpo à tua mercê

Face encerada, um corpo vazio

De lá sairam, todos os belos sentimentos da vida

Luz , amor, carinho, cor vida

Sim vida... lufada de ar fresco

Nada disto faz parte de ti

Porque me persegues? afasta-te de mim...

Sabes, estou a habituar-me à tua sombra

Já não sinto medo de ti

Por momentos sentir-te perto tornou-se o meu refúgio

Porquê? porquê pergunto-me. Como posso sentir, calma, paz, serenidade ao sentir-te perto

de mim, se tu sempre me apavoraste

Não!...não te aproveites da minha fragilidade, de estar a deixar-me morrer por dentro

Deixa que lute pela vida, porque assim não serás vencedora, aceitando-me de braços abertos

Não... não me queiras a correr para ti, deixa que lute pela vida, por aquela que ainda não vivi

Afasta-te.Não te quero como amiga

Preciso viver, não me causes fascínio

Quero-te bem longe ...longe do meu caminho.

Múchia-Margarida Tanque

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